Ilha Grande de Chiloé, Chile: o que ver e roteiro completo

Chiloé tem algo difícil de explicar: igrejas de madeira declaradas Patrimônio da Humanidade, palafitas sobre a água, um píer que, segundo a lenda, leva as almas para o outro mundo e uma chuva que não para, mas que, de alguma forma, faz parte da paisagem. Contamos tudo o que percorremos, o que nos surpreendeu e o que ficou pendente para nós.


Chacao: porta de entrada para a Ilha de Chiloé

Percorremos a Ilha Grande de Chiloé, no sul do Chile, tudo o que o clima nos permitiu. Apesar das chuvas, conseguimos conhecer vários cantinhos incríveis e, neste artigo, contamos como foi nossa viagem, quais lugares visitamos e o que ficou pendente para nós.

Como chegar a Chiloé?

Pegamos a balsa em Pargua, a cerca de 60 km de Puerto Montt. A travessia até Chacao, já na ilha, dura aproximadamente 30 minutos e pode ser feita sem reserva prévia.

ℹ️ Mais informações sobre horários e tarifas da balsa aqui

Sobre o arquipélago de Chiloé

O arquipélago de Chiloé é composto por uma ilha principal — a Ilha Grande — e outras 40 ilhas menores. Sua superfície total é de 9.181 km². A Ilha Grande tem 180 km de extensão de norte a sul, com uma largura média de 50 km.

Um dado muito interessante: 16 igrejas de Chiloé foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, devido à sua arquitetura única em madeira e ao seu valor histórico e cultural. Essas construções começaram com os jesuítas nos séculos XVII e XVIII e foram continuadas pelos franciscanos.

Nosso roteiro pela Ilha Grande

1. Chacao

Assim que chegamos à ilha, exploramos o pequeno povoado de Chacao: sua praça central, igreja, prefeitura e várias lojas de artesanato. Também conta com uma orla com vista para o Canal de Chacao.

2. Ancud e Playa Ahui

A próxima parada foi Ancud, a segunda maior cidade da ilha. Visitamos o Museo Regional de Ancud, com entrada gratuita. Também existe um museu das igrejas, mas não fomos.

De Ancud, seguimos em direção à Playa y Fuerte Ahui, um dos nossos lugares favoritos da viagem. Fica a 37 km, por uma estrada em sua maior parte asfaltada que, no trecho final, se transforma em cascalho, embora esteja em boas condições.

Chegamos por recomendação, sem expectativas e sem saber muito bem do que se tratava. E ficamos completamente surpresos. Passamos a noite na praia, com uma vista incrível do Oceano Pacífico e de suas imponentes falésias.

A visita ao Fuerte Ahui é gratuita. Ele faz parte do sistema de fortificações construídas durante o período colonial para a defesa do território.

ℹ️ Mais informações sobre o Fuerte Ahui aqui

3. Pinguineira de Puñihuil

Tinham nos recomendado a Pinguineira de Puñihuil, onde duas espécies de pinguins fazem seus ninhos juntas: Humboldt e Magalhães. Não chegamos a visitá-la, mas deixamos a informação: os passeios de barco são realizados de setembro a março.

4. Castro e as palafitas

Seguimos em direção a Castro, a maior cidade da ilha. Visitamos sua igreja principal, Patrimônio da Humanidade, que nos pareceu fascinante por sua arquitetura.

Também fomos conhecer as famosas palafitas de Pedro Montt e Gamboa, tanto com a maré alta quanto com a maré baixa. Embora sejam icônicas, pessoalmente sentimos que são mais atraentes nas fotos do que na realidade. Hoje, muitas funcionam como restaurantes, hotéis ou espaços turísticos. Antigamente, eram casas de pescadores.

5. Chonchi e Queilén

Em Chonchi, visitamos outra das igrejas de madeira e seguimos em direção a Queilén, um povoado costeiro com uma bela orla e muitos barcos de pesca.

6. Parque Tepuhueico — área de floresta

A caminho de Cucao, visitamos o Parque Tepuhueico em sua área de floresta. Chegamos um pouco tarde, então fizemos apenas a trilha Catedral de Arrayanes.

É possível entrar de carro e parar em diferentes estacionamentos para percorrer as trilhas: você faz a trilha, volta para o carro e continua até a próxima. No entanto, nós tivemos que deixar o motorhome antes de atravessar uma ponte, a 1 km da entrada, e de lá seguimos caminhando. Como não pudemos entrar com o motorhome e, além disso, chegamos tarde, só tivemos tempo para fazer essa trilha.

ℹ️ Mais informações sobre o Parque Tepuhueico aqui

7. Cucao e o Muelle de las Almas

Dormimos em Cucao, um povoado muito pequeno atravessado pela estrada. De lá, seguimos em direção ao Muelle de las Almas, um dos lugares mais populares desta região de Chiloé.

Como chegar:

  • De Cucao são 12 km de cascalho margeando o Pacífico até o escritório do píer.
  • Lá você paga a entrada e, alguns quilômetros mais adiante, paga o estacionamento.
  • Guarde o ingresso: vão pedir para você apresentá-lo no meio da trilha.

Do estacionamento, a trilha até Punta Pirulil (onde fica o píer) leva aproximadamente 1 hora. O lugar é lindo, com vistas espetaculares. No caminho, você vai encontrar a lenda do píer, que dá um toque místico à experiência.

⚠️ Na alta temporada, costuma haver longas filas para tirar fotos. Nós fomos na baixa temporada e aproveitamos muito mais. Os próprios moradores locais e uma placa no local indicam que é permitido ficar apenas 2 minutos por pessoa no píer. Quando fomos, não havia ninguém e pudemos ficar o tempo que quisemos, algo que certamente não deve ser igual quando o lugar está cheio de turistas.

8. Muelle del Tiempo

Na área costeira do Parque Tepuhueico fica o Muelle del Tiempo. O acesso só é possível com um veículo 4×4 ou deixando o veículo no estacionamento e caminhando cerca de 2 km até a entrada. De lá começa a trilha.

ℹ️ Mais informações sobre as trilhas da área costeira no site do parque

9. Quellón: o km 0 da Ruta Panamericana

Chegamos a Quellón, a cidade mais ao sul da ilha. Em Punta de Lapas fica o km 0 da Ruta Panamericana, que liga o Chile ao Alasca. Dormimos ali mesmo, na orla.

A praia nos pareceu um pouco suja e, de modo geral, a cidade não foi uma das nossas favoritas. Também fica ali o Parque Tantauco, mas não conseguimos entrar porque apenas uma entrada estava habilitada e era acessível somente com veículos 4×4.

10. Retorno pela costa

De Quellón, voltamos pela costa da ilha. Visitamos Dalcahue, Quicaví, Quemchi e retornamos a Chacao.

O retorno foi mais rápido do que o planejado, pois estavam previstos muitos dias de chuva intensa. Fizemos algumas estradas à moda antiga: sem sinal, sem eletricidade, apenas seguindo as placas. Em determinado momento, inclusive, pegamos o caminho errado e, por isso, não conseguimos conhecer Linao e Manao.

Lugares que ficaram pendentes

Compartilhamos o que não conseguimos visitar, caso você queira incluí-los no seu próprio roteiro:

  • Ilha Lemuy
  • Ilha Quinchao (Achao)
  • Ilha Aucar
  • Cachoeiras de Tocoihue (entre Dalcahue e Quicaví)
  • Cueva de las Brujas em Quicaví
  • Linao e Manao

Conclusão: vale a pena visitar Chiloé?

Chiloé é uma ilha mágica, onde convivem paisagens selvagens, história colonial, arquitetura única e uma forte identidade cultural. Embora não tenhamos conseguido percorrer tudo, o que vimos nos deixou fascinados.

Recomendamos planejar a viagem com flexibilidade e ficar atentos ao clima, que muda rapidamente.

Confira o roteiro completo no YouTube

Compartilhamos o episódio em que mostramos todo o nosso roteiro pela Ilha Grande de Chiloé.

Se você vai viajar pelo Chile, recomendamos que leia este artigo do BLOG.

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Assista aos episódios no YouTube, onde mostramos tudo em vídeo.

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